Cineamazônia: Guariterêbenguela e Que assim seja na mostra competitiva

Produções rondonienses em destaque no Cineamazônia 

Já começou a corrida para o prêmio Mapinguari e este ano as produções rondonienses ganham destaque pela diversidade de linguagem. Ontem foram apresentados Balanceia e Banho de Cavalo e hoje tem os representantes rondonienses Que Assim SejaGuariterêbenguela.

Guariterêbenguela - cineamazônia
Elba Regina de Oliveira Calazan, da comunidade Santo Antônio do Vale do Guaporé é protagoniza o curta dirigido por Chicão Santos

Guariterêbenguela

A dança quilombola é tema do curta Guariterêbenguela, um produto da pesquisa do projeto Quilombo – Residência artística flutuante pelas águas do Vale do Guaporé, que também incluiu exposição fotográfica e outras atividades.

O filme mostra a dança desenvolvida pelas comunidades ribeirinhas ao longo do Vale do Guaporé. Elba Regina de Oliveira Calazan, da comunidade Santo Antônio do Vale do Guaporé fala com tristeza da falta de interesse das novas gerações pelas tradições da comunidade. Ela conta que desde pequena via os pais dançarem rasqueado durante as festas realizadas após os festejos religiosos e cresceu dançando o ritmo. Para ela, como dançarina, “Eu quero deixar para os meus filhos, para os meus netos, que eles possam saber o que é dançar essas danças antigas e que isso não se perca”. O experimental acompanha esses movimentos feitos no cenário conhecido pelo povo ribeirinho.

Chicão Santos explica que a ideia inicial era identificar o modo de vida dos moradores do Vale do Guaporé e a dança foi o canal de diálogo para entrar em contato com as pessoas. A concepção do projeto teve início há aproximadamente três anos, a pesquisa nas localidades pelo menos um e o encontro cultural comemorou o sucesso do projeto.

Que Assim Seja

A ficção Que Assim Seja, de Érica Pascoal, traz em sua essência a discussão sobre o ser humano e a dualidade entre o bem e o mal, retratado através da religião e exige que o espectador reflita sobre a mensagem contida na trama. “Cada um pode dar a sua interpretação para o protagonista”. Os personagens da trama são interpretados pelos atores Juraci Jr. e Rafael Barros.

Cineamazonia - que assim seja

Bastidores de “Que assim seja” – Érica Pascoal (diretora), Mike Oliveira (efeitos especiais), André Cran (direção de fotografia), Dandara Simão (produção) , Flávio Bruno  e Juraci Júnior (atores). Foto: Douglas Diógenes

Para Érica o mais marcante nesse processo é a cooperação. Quando a ideia de fazer o curta surgiu a primeira opção foi que ele fosse produzido em São Paulo, com a estrutura de lá. Porém essa ideia foi logo substituída e Érica se propôs o desafio de realizá-lo em Porto Velho, cidade onde nasceu, e buscar nos profissionais daqui a estrutura que precisava para a realização do trabalho. Conseguiu, com a ajuda de amigos, transformar o sonho em realidade. “Mais importante que a história do filme pra mim são os bastidores e como ele aconteceu”.

Érica Pascoal formou-se em publicidade aqui em Porto Velho e durante a graduação descobriu sua afinidade com a sétima arte. Ao terminar o ensino superior mudou-se para São Paulo para estudar cinema e hoje trabalha com direção de fotografia. Ela conta que a primeira vez que teve contato com a realização de audiovisual foi quando participou de uma oficina promovida pelo Cineamazônia em 2010. “Esse é o primeiro filme que eu dirijo e ele está sendo lançado no Cineamazônia, que é o Festival onde as coisas começaram”.

Que assim seja - Cineamazônia

Érica Pascoal e os atores Rafael Barros e Juraci Júnior nos bastidores de “Que assim seja”. – Foto: Douglas Diógenes

Érica enfatiza ainda a importância de ter gravado o filme em Porto Velho, com profissionais daqui, onde também está sendo exibido pela primeira vez e faz questão de agradecer a todos que colaboraram para execução deste trabalho. A diretora não esconde a felicidade de poder compartilhar esse momento com as pessoas que participaram do curta e com sua família. “Quando você realiza cinema de baixo orçamento, um curta metragem, o filme só roda em festivais e então seria muito difícil que a minha família conseguisse assistir estando aqui em Porto Velho, mas como vai passar no Cineamazônia tem uma importância muito grande para mim e para minha família, vamos assistir todos juntos. E mais que isso, o filme vai chegar em lugares que não se tem cinema e por isso esse Festival é muito importante mesmo e estou muito feliz”.

Cinema e música

Hoje é dia de música na programação especial do Cineamazônia. Tem a participação de Chico Batera, um dos maiores músicos brasileiros, que já tocou com The Doors, Janis Joplin, Cat Stevens e há quase 30 anos acompanha Chico Buarque. Ele participa de oficina aberta a partir das 17h na Escola de Música Jorge Andrade localizada na Abunã 2805 , Esquina com Elias Gorayeb. A participação é gratuita é só comparecer ao local no horário indicado.

Durante a programação haverá exibição do filme “Na Batucada da Vida”, do diretor Mauro Costa Jr.  conta em aproximadamente trinta minutos a história do músico, percussionista e baterista que há mais de cinquenta anos dedica-se a música. Após o filme tem apresentação do Trio do Norte,  composto por Júnior Lopes na bateria, Mauro Araújo nos teclados e piano, e Paulo Araújo no contrabaixo.

 A Mostra competitiva é realizada no Sesc Esplanada – Teatro Um (Presidente Dutra, 4175 – Olaria). Os filmes são exibidos durante a tarde e a noite.

Mostra Competitiva no Cineamazônia – 19/10/2017
Horário 14h às 17h30


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