As mulheres do Aluá participa de exposição da Petrobras e inicia temporada

No último dia 26/04 o grupo rondoniense O Imaginário representou Rondônia na 5ª edição do Programa Petrobras Distribuidora de Cultura (PPDC), onde participou do Conversas BR – Arte e Cidadania, além de exposição de fotos. O convite foi feito em virtude do espetáculo “As mulheres do Aluá”, trabalho que já circulou algumas cidades brasileiras e inicia temporada hoje em Porto Velho.

Chicão Santos, Nilza Menezes e representantes da Petrobras no Espaço Lubrax (RJ) – Foto: Acervo O Imaginário

Participação de “As Mulheres do Aluá” em exposição do PPDC – Foto: Acervo O Imaginário

Chicão Santos, diretor do espetáculo e Nilza Menezes, pesquisadora participaram da roda de conversa “Uma reflexão sobre o gênero feminino”. Chicão não esconde o orgulho e a emoção em colher os frutos de um trabalho tão intenso, tendo em vista que da ideia até a concretização do trabalho foram pelo menos três anos de pesquisa. “É muito importante para O Imaginário, ser convidado através da curadoria da Petrobrás a representar nossa região num projeto que envolve tantos trabalhos”.

Trajetória
A estreia de “As Mulheres do Aluá” foi durante a programação do projeto Palco Giratório, em setembro de 2014. Em outubro do mesmo ano, o espetáculo marcou a inauguração do Teatro Estadual Palácio das Artes. Em 2015 o espetáculo circulou por Em 2015 circulou por Boa Vista (RR), Manaus (AM), Teresina (PI), Cuiabá (MT), Macapá (AP) através de apoio da Petrobras e Sesc Amazônia das Artes.Em 2016, com Flávia Diniz no elenco e algumas modificações no texto, a peça foi encenada no Sesc Esplanada e no Espaço Tapiri. Em suas apresentações o espetáculo levanta a discussão de gênero, através das histórias das personagens.

Nilza Menezes fala durante a roda de conversa Uma reflexão sobre o gênero feminino” -Foto: Acervo O Imaginário

Nilza Menezes fala durante a roda de conversa Uma reflexão sobre o gênero feminino” -Foto: Acervo O Imaginário

Entrevista
A pesquisadora, escritora e chefe de Documentação histórica do Tribunal de Justiça de Rondônia teve papel fundamental no sucesso deste projeto e para ela é gratificante ver o resultado deste processo de pesquisa. Confira a entrevista.

Agenda Porto Velho – Como é pra você ver a dimensão que as histórias há tanto tempo arquivadas tomaram uma dimensão tão grande?

Nilza Menezes – É importante perceber que as histórias das mulheres no inicio do século XX podem ser relidas e adaptadas para o atual. A violência sofrida por essas mulheres só podem ser percebidas com o olhar que temos hoje sobre as violências e assimetrias de gênero, fazendo uso da categoria de análise GÊNERO, para produzir uma leitura sobre o passado. Vejo também como importante a possibilidade de fazer um trabalho a partir de documentos pois permitir mostrar a importância do acervo do Poder Judiciário de Rondônia

Agenda Porto Velho – Das histórias que inspiraram “Mulheres do Aluá” qual mais te marcou?
Nilza Menezes – Gosto de todas. Existem tantas outras mais. Nem todas foram trazidas para o trabalho. Escolhemos buscando dar uma visão de diferentes mulheres, a caribenha, a nordestina, a cigana e a prostituta. No entanto existem tantas outras, como a Judia, a árabe e todas trazem para os documentos muitas possibilidades para conhecermos mais sobre a história da região e das mulheres. Gosto da feiticeira pela sua marginalidade, da cigana por sua forma de enfrentar a violência, sendo inclusive agente nesse processo, a caribenha que mostra não só o glamour que se pretendeu dar a esses imigrantes, mas que para além do discurso masculino de importância, mostrar que as mulheres passavam por outras realidades e ainda a prostituta que possui uma forma também de agente no processo da violência sofrida por essa classe de mulheres.

Agenda Porto Velho – Qual o paralelo, que você faz, com as mulheres do passado e as mulheres atualmente?
Nilza Menezes – A violência sempre existiu. No entanto, esse olhar com consciência é algo mais recente que ainda precisa de muito trabalho, de muita luta. A mulher no passado era apenas a reprodutora. Não tinha direitos políticos, não tinha voz. Em todas as culturas, em todos os tempos, sempre houve e há distinções pautadas no nas assimetrias de gênero. Claro que tivemos conquistas e avanços. Hoje a mulher vota, tem o direito á educação e ao trabalho, mas ainda temos muito que conquistar.

“As Mulheres do Aluá” em exposição no espaço Lubrax (RJ) – Foto: Leonardo Valério;Acervo “O Imaginário”

Nova temporada
Para quem ainda não viu ou que deseja rever “As mulheres do Aluá” inicia nova temporada nesta segunda-feira (1º). As apresentações acontecem nos dias 01, 12 e 13 de Maio. 02, 03, 09, 10, 16 e 17 de Junho, sempre às 20h no Tapiri com bilheteria voluntária.

A dramaturgia de Euler Lopes é baseada em processos judiciais antigos (1910 a 1930) e retrata a história de quatro personagens foram condenadas e trancadas em celas em uma cidade abandonada no interior da floresta e com o passar do tempo se transformaram em “mulheres de pedra”. Anualmente Bebé Robert, Josefa Cebola, Elisa e Catharina saem para beber e festejar o ‘Aluá’, relembrando as suas memórias.

O Imaginário
Desde sua criação em 2005 a principal ação do O Imaginário é discutir o teatro, o público e a cidade, ação estratégica para o desenvolvimento de conceitos que asseguram a luta por um teatro insurgente e pela promoção do acesso do cidadão a arte como um direito social. Com mais de dez anos de trabalho ininterrupto o grupo é referência na formação e incetivo a arte em Porto Velho através de seus projetos.

Foto: Leonardo Valério

Serviço
As mulheres do Aluá – nova temporada
Período: 01, 12 e 13/05/2017; 02, 03, 09, 10, 16 e 17/06/2017
Horário: 20h
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Entrada: bilheteria voluntária
Local: Tapiri
Endereço: Rua Franklin Tavares, 1353 – Pedrinhas


Compartilhe


Comentários

Agenda por categoria

Veja a agenda de eventos de uma categoria específica.