Amir Haddad é homenageado no encerramento do Festival Amazônia Encena na Rua

Amazônia Encena na Rua

Mestre Amir Haddad é homenageado durante a 10ª edição do Amazônia Encena na Rua

Amir Haddad não gosta de se definir como teatrólogo e explica: “Eu sou uma pessoa cuja vida tem sido dedicada ao teatro em todos os seus aspectos, pode até chamar teatrólogo, eu não gosto da palavra porque parece ser de um certo tipo de teatro. Teatro para mim é mais do que teatro”.

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Lançamento do livro Teatro de Rua: Discursos, pensamentos e memórias em rede
Organizadores: Jussara Trindade, Licko Turle e Vanéssia Gomes

Não é a primeira vez que Amir Haddad vem a Porto Velho para participar do Encena na Rua, já esteve presente no evento trazendo o seu grupo “Tá na Rua”, criado em 1980. “Gosto muito de estar aqui e fico sempre surpreendido com a aceitação que a cidade tem para as atividades culturais nos espaços abertos, isso é muito bom. Em geral, o povo gosta da arte na rua. Nas grandes cidades também gostam, não vão mais porque não lhes é oferecido com regularidade, mas aqui eu sinto que eles tem um gosto especial por essa manifestação”. A análise de Amir Haddad revela a importância do Festival que já é conhecido nacionalmente e um dos mais aguardados pelos artistas que fazem parte da Rede Brasileira de Teatro de Rua. “Eu gostaria que houvesse mais investimento aqui, para que Porto Velho pudesse se transformar na capital das artes das ruas, da Amazônia e também do Brasil e estou feliz de estar aqui e ter sido convidado”.

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Amir Haddad e alguns participantes do 10ª edição do Amazônia Encena na Rua

Ciclo de debates

O Festival Amazônia Encena na Rua, que encerrou no último domingo (30), foi uma das mais enriquecedoras experiências para os artistas que puderam compartilhar durante os sete dias de Festival suas experiências com arte, vivenciando a criação artística de outras regiões.

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Ciclo de debates com Amir Haddad e artistas do Amazônia Encena na Rua

No sábado, 29, foi realizado ciclo de debates também com a presença de Amir Haddad que teve como  tema o teatro, o público e a cidade. Um dos pontos de discussão foi o fazer artístico na atualidade. Para Haddad é hora do artista de rua se reinventar e explorar a criatividade na hora de montar seus trabalhos. “Os grupos agora tem liberdade de montar o trabalho que quiserem”.

Foram oferecidas três oficinas durante a programação

Oficinas

O Festival Amazônia Encena na Rua promoveu três oficinas formativas. Patrícia Caroline Teixeira participou da oficina “Da Narrativa ao Teatro Narrativo com Ana Carneiro (MG) e agradeceu a chance. “Só de ter oportunidade de estar com Ana Carneiro é como se fosse a história viva do teatro de rua brasileiro aqui em Porto Velho, é um aprendizado e tanto só de estar perto dela. Foi maravilhoso e transformador esses quatro dias somaram muito”

A professora da zona rural Elisângela Zanatelli atua como diretora em Monte Negro e diz que participar da oficina  enriquece seu trabalho. “Está sendo transformadora minha experiência como profissional, principalmente na área da atuação pela necessidade que as escolas tem de manterem vivas a partir da cultura oferecida aqui com essas oficinas.”

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Professora Ana Carneiro (MG) ministrou a oficina Da narrativa no teatro ao teatro narrativo

Ana Carneiro é professora na Universidade Federal de Uberlândia (MG)  fez questão de vir participar do Festival Amazônia Encena na Rua e ministrou a oficina “Da Narrativa no Teatro ao Teatro Narrativo”. “Houve a presença de vários grupos e foi muito interessante poder compartilhar o que sei com todos que participaram”.

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Professores de Monte Negro participaram das oficinas

Para o ator Paulo Ricardo Nascimento a experiência o fez refletir por uma semana sobre a questão da narrativa no teatro. “Foi super interessante. É um momento de parar e refletir a narrativa dentro do teatro, se é uma linha de raciocínio, se é uma trajetória que vai de uma coisa a outra, da narrativa ao teatro, se o teatro  naturalmente tem que ter o aspecto narrativo, mas o mais bacana é exatamente trazer esses questionamentos é a gente conseguir se juntar para fazer uma coisa que parece simples, boba, ler o texto e fazer uma encenação simples sem pensar, sem elaborar muito, mas provocar, fazer a gente sair se questionando. A riqueza dessa oficina pra mim foi provocar o raciocínio, provocar a reflexão”, avaliou Paulo.

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Participantes da oficina Da narrativa no teatro ao teatro narrativo, com Ana Carneiro (MG)

Encerramento

O evento este ano foi realizado pelo grupo rondoniense “O Imaginário”, com patrocínio da Caixa, Governo Federal e apoio da Semdestur – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Socioeconômico e Turismo. A programação contou com a participação de mais de 20 grupos e artistas. Rodas de conversa, debate, oficinas e apresentações foram as atividades desenvolvidas de 24 a 30 de julho, todas oferecidas gratuitamente. Para Chicão Santos, diretor do O Imaginário e idealizador do Festival Amazônia Encena na Rua, o momento é de comemoração e agradecimento pelo sucesso da realização do evento. “Esse foi o Festival do amor, da solidariedade, que trouxe para cá muitos artistas e que fez também com que, nesse momento de crise no Brasil, os grupos, os artistas compreendessem que precisávamos estar juntos, partilhando, fazendo trocas. Então o Festival cumpriu rigorosamente os seus objetivos. Gostaria de fazer um agradecimento ao público de Porto Velho, a toda imprensa de Porto Velho, que foi fantástica divulgando as ações e agradecer aos grupos e artistas e toda a nossa equipe de trabalho porque somos poucos, mas nos agigantamos e fizemos com que a nossa equipe pequenininha se tornasse grande. Fizemos um Festival sem dinheiro praticamente e mostramos que com essa força, essa determinação podemos realizá-lo da melhor forma possível. Estou muito feliz e agradeço a todos e dizer que o teatro que a gente acredita é esse teatro vivo, teatro do povo, teatro que está ali todos os dias pertinho do cidadão, no cotidiano de cada um de nós”.

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Chicão Santos, idealizador do Festival, participou com o espetáculo “Exercícios de Palhaçaria”. 


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