Alexandre Lemos – Porto Cultural

Alexandre Lemos no espetáculo “Avoar” – Foto: Eliane Viana

Filho de Maria Valdecy Lemos de Araújo, criado por João Ramos e Maria da Conceição, seus avós maternos Carlos Alexandre Lemos de Araújo, o Alexandre Lemos, é um menino que traz o sorriso no rosto e se envolve de corpo e alma em seus projetos. Nascido em  Porto Velho, este sagitariano é do tipo que rói unhas de ansiedade e se emociona com cada gesto de carinho.

 Traz na bagagem dos seus 30 anos de idade, uma trajetória de sucesso atuando pelo grupo Raízes do Porto nos espetáculos “Avoar”, “Findo” e “Tira a Canga do Boi”. Na Cia Fiasco arrancou aplausos e muitos sorrisos da plateia com  “Já Passam das 8” e no grupo Diz-farsa adquiriu experiência ao participar dos espetáculos “Quem banca a Banca”, “Infidelidade” e “Navalha na Carne”.

Espetáculo “Já Passam das 8” – Foto: divulgação

 A estreia de “Findo” em 2014 foi um desafio, por ser a primeira dramaturgia com sua assinatura, onde mostrou mais uma faceta de sua versatilidade como artista. Alexandre Lemos é intenso. Seja como ator, diretor, na técnica, produção, escrevendo e até mesmo como público, transborda sensibilidade e inquietude na busca por novos saberes e aprendizados. Em fase de preparação para o seu novo trabalho, Alexandre Lemos concedeu entrevista para o projeto Porto Cultural.  Se você já está na curiosidade, não perca mais tempo. Vamos juntos conhecer um pouquinho mais sobre Alexandre Lemos.

Agenda Porto Velho – Você escolheu a arte ou a arte te escolheu?

Alexandre Lemos:  Acredito que nasci assim, apaixonado pela arte. Desde dos meus 5 ou 6 anos de idade eu já era incentivado a cantar, a interpretar. Meu avô, quando era vivo, comprava vinil (disco) dos cantores preferidos meus e dele, colocava na vitrola e pedia para cantar e dançar com ele. Talvez, essa atitude dele tenha despertado esse amor pelas artes.

 Na escola ou em curso, sempre estava programando algo voltado para a arte, os meus trabalhos escolares sempre foram apresentados em forma de música, dança ou teatro. Na verdade, em sua maioria na forma de teatro (rsrsrs).

A primeira peça de teatro que assisti foi o Saltimbancos, quase morri de tanto chorar, por que achei a coisa mais linda do mundo, e até hoje ainda acho. (rsrsrs)

Agenda Porto Velho – Como você vê o amadurecimento do seu trabalho do espetáculo infantil “Avoar” ao complexo mundo de “Findo”.

Alexandre Lemos – Tudo para mim, foi questão de tempo, paciência e coragem. Comecei a fazer teatro em Porto Velho em 2001 como sonoplasta, demorei muito a subir no palco. Então, a insegurança era muita. O “Avoar” e “Já Passam das Oito”, foram divisores de água na minha trajetória no teatro. Eles me fizeram compreender que tudo tem seu tempo, só bastava ter paciência. Em 2006, com a estreia dos dois espetáculos, eu possuía uma visão da arte um pouco prepotente, achando que tudo era questão de estar no palco.

 Quando surgiu o “Findo” a minha fome de teatro era outra, não pensava mais no “luxo”, queria só sentir a palavra. E com essa necessidade, tomei coragem e fui levar o “Findo” a algum lugar, não sei ainda qual caminho vou percorrer com ele. Mas, com pouco tempo de peça, com apenas 4 apresentações e 8 meses de ensaio, não posso deixar de dizer: “É necessário seguir, sem medo.”

Nesse “amadurecimento” do ” Avoar”‘ para o “Findo”, acredito ainda “que sou um adolescente” que busca o seu caminho a frente, sem pretensões, apenas curioso e empolgado com as descobertas.

Espetáculo “Findo” – Foto: Eliane Viana

Agenda Porto Velho – Como é para você produzir arte em Porto Velho?

Alexandre Lemos – Não é fácil! Impostos altos, pauta caras, sem politicas públicas, sem incentivo cultural. Mas, mesmo assim tenho esperança. Por exemplo, nos últimos dois anos venho notando uma mudança no olhar do estado e município para a cultura. Mas,  se fosse realmente fácil, não saberia tanto sobre a arte, como eu sei hoje.

Acredito que todos nós, artistas rondonienses, portovelhenses e poderes públicos temos uma parcela de culpa por não possuir uma estrutura ou plano de incentivo cultural de fomentação e formação.

Sou a favor da união, o estado e município jamais conseguiram criar uma estrutura cultural sem os artistas, e os artistas não vão muito longe sem esses poderes.

Quando comecei, não possuíam os diálogos que existem hoje com Município e Estado, hoje temos uma aproximação favorável. Vejo como um grande avanço, só precisamos manter a constância dessa troca, e a palavra dos homens que comandam devem ser mantidas, se isso permanecer teremos grandes resultados.

Agenda Porto Velho – O que mais te emociona nesse trabalho?

Alexandre Lemos – O público. Saber que alguém saiu da sua casa, para ver o teu trabalho já enche os olhos de emoção.

Agenda Porto Velho – O que é arte para você?

Alexandre Lemos – Arte é o meu melhor sorriso. É a minha melhor roupa de vestir para ir à festa!

 Se você gostou desse espaço comente e se tem algum artista que admira é só indicar que nós iremos conhecê-lo mais um pouquinho. 


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